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30.4.04

Quer falar comigo?



O despertador toca e eu não escuto. Uma sensação de calor toma conta da minha cabeça e pescoço mas meu corpo pesa mais que a minha vontade de levantar. O calor se torna insuportável e meus olhos se abrem. É o sol entrando pela cortina levantada no meio da noite. Queria dormir iluminada pela luz das estrelas. Fui expulsa dos braços de Morfeu pelos raios do sol. Acordo com um bom humor de se estranhar. Aceito. Sempre me surpreendo comigo mesma. Fico feliz por ser quem me tornei. Ponho um CD. Ligo o chuveiro. Acendo um incenso. Ando nua pelo quarto. O espelho me dá um sinal de alerta. Celulites intrusas onde não deviam. Mesmo assim acho que a Playboy está perdendo um recorde de vendas! Tomo um banho morno com grandes idéias na mente enquanto lavo minha calcinha branca. Estou bolando um projeto genial pra apresentar em breve! Mal termino de passar o rímel quando o celular toca. Meu macho!!! Rarararara... Aquele beijo na boca me espera na porta de entrada... Um brinde com água mineral a mais um final de semana. Dou o último gole com uma certeza. Nada pode estragar uma sexta-feira no Rio de janeiro com cores e formas tão perfeitas.




28.4.04

Quer falar comigo?


"Que seja assim
Imprevisível
Inconstante
Inaudível
Inquietante
Ansioso, sem ser pontual
Displicente, sem deixar de agradar
Como o vento, e os melhores desejos."

Marta Helena Cocco





20.4.04

Quer falar comigo?



Mais um dia chega... indiferente a tudo... da janela do meu quarto.


Debaixo da merda pode haver uma flor...


Hoje eu induzi uma conversa, que chegou no ponto que eu queria, mas acabou tomando um rumo que eu não esperava. Um assunto que eu prometi a mim mesma que eu não iria mencionar tão cedo novamente. Falei o que eu não devia. Ouvi o que eu não gostei. Saldo final? Palavras de desabafo no blog... Meio ovo de páscoa... Um Lexotan pra acalmar as idéias...Uma sensação de algo ruim iminente... Medo... Às vezes minha impulsividade e insegurança me traem a ponto de me colocarem na beira de um abismo. E às vezes eu sou muito burra mesmo! É xadrez, e não damas.
Impressionante o poder das palavras... E impressionante da mesma forma, a dimensão da minha fragilidade (hoje) nessa situação (situação de merda, por sinal). Uma roubada nonsense ou algo realmente necessário? Fruto da imaginação ou coisa do coração? Não procurei por nada disso. Aconteceu... isso acontece. Eu pago um preço muito alto por ser uma pessoa que sempre erra a mão na intensidade dos sentimentos. Não gosto de nada mais ou menos.
Nunca vou deixar de lutar pelas coisas em que acredito. Desistir sem tentar? Never! Sou guerreira e sortuda. Desde o dia em que eu nasci. Eu sei bem disso.. Quanta coisa quase me derrubou...E eu sempre mantive minha cabeça levantada nunca deixando de continuar a caminhar com esperança. Meu combustível dessa vez? Um sentimento muito forte, especial, paciente, raro, verdadeiro.
Sinto informar, o fantástico mundo da Barbie morena nem sempre é cor-de-rosa...




13.4.04

Quer falar comigo?


Isto é um sinal...


Este mês eu poderia ter virado mãe pela segunda vez. Minha menstruação atrasou 2 dias e eu já estava começando a alternar sentimentos de preocupação e felicidade. Preocupação porque eu tomo mil suplementos alimentares e isso poderia ser prejudicial de alguma forma (como sou irresponsável!). Preocupação porque eu não sabia qual seria a reação do daddy (como sou responsável!). Preocupação porque estragaria minha lipo (como sou egoísta!). Felicidade porque uma criança cairia muito bem agora. Felicidade porque eu gostaria de ter outros filhos e já vou fazer 32. Felicidade porque eu me sentiria menos solitária e a casa ficaria com mais vida. Felicidade porque levaria felicidade a muita gente. Mas (in)felizmente, não aconteceu.
Ontem eu recebi o telefonema de uma grande amiga de infânica. Ela estava toda feliz porque descobriu que estava grávida! Mas hoje à tarde recebi uma triste notícia. O médico viu na ultra que o feto tinha morrido. Fiquei mal...
Esta noite eu sonhei que eu tinha tido uma filha. Ela nasceu abaixo do peso mas era linda!!! Tinha a pela branquinha e o cabelo pretinho. Não lembro de muita coisa, pra variar.
Eu sei que minha vontade de engravidar é um sinal da natureza, um chamado divino. Uma coisa muito especial que só eu sei o significado. Uma vontade que deu mas vai passar. Como eu tenho a consciência que não é o momento certo, estou pensando em utilizar algo seguro pra evitar que isto aconteça. Ah, e acho que vou comprar um cachorro!



8.4.04

Quer falar comigo?



A primeira vez que eu entrei numa cachoeira! Concentradíssima!
(Arizona - Julho 2002)


Vontade e Coragem


Uma questão tem perturbado minha cabeça ultimamente. Bastante, por sinal. O que leva duas pessoas adultas, independentes a continuarem a namorar por 7, 8, 9, 10, 11, 12 anos??? Medo? Acomodação? Covardia? Ou foram as circunstâncias? Ui, isso me assusta! Deprime. Arrepia. Onde fica aquela vontade de formar uma família, de ter filhos, de ficar junto de verdade? Vontade que aparece já no início do relacionamento. Que muitas vezes fica no meio do caminho. E quando a pessoa volta pra procurar... não tem jeito. Se perdeu na estrada do tempo!
Há poucos anos, fiz uma caminhada pelo deserto. Horas a fio seguida por um sol infernal movida a água quente, M&Ms e carregando uma mochila de quase 10 quilos. Já exausta de tanto andar, tropeço em algo. Que máximo! Eu achei uma ferradura! Sorte! Sorte! Sorte! Sabe o que eu fiz? Nada. Fiquei com preguiça de me abaixar e continuei andando. Pego ou não pego? Pensei também no que a minha mãe dizia quando eu era criança: "ferradura é suja e pode transmitir tétano". Fiquei com aquilo na cabeça enquanto ia caminhando. Pego ou não pego? Meus pensamentos me entretiam enquanto meu corpo se distanciava do meu objetivo. A cada passo que eu dava, menos vontade eu tinha de voltar lá, me abaixar e pegar a ferradura. Até que eu fiquei distante demais. E se eu resolvesse finalmente pegar a maldita ferradura, provavelmente não iria achá-la mais. Continuei minha caminhada com um sentimento estranho e com esperança de encontrar uma outra ferradura. Não encontrei. Mas poderia ter encontrado.
Aquela ferradura que ficou pra trás foi uma lição de vida. Não era pra ser minha. Porque na minha indecisão, assim eu decidi.